Saúde: sem o lobby da indústria de medicamentos

Vamos falar do selênio (Se). Um oligoelemento (ou elemento traço), isto é, um mineral necessário em quantidades mínimas, mas essencial para o bom funcionamento do organismo, pois é componente de diversas vias metabólicas importantes, incluindo metabolismo hormonal da tireóide, sistemas de defesa antioxidante e imunológica.

No entanto, o interesse em estudar as propriedades deste mineral concentrava-se primeiramente em sua toxicidade. Nos anos 1950, estudos com Selênio e vitamina E em animais mostraram sua importância na prevenção de diversas doenças. Em 1973, pesquisas demonstraram a presença desse mineral na enzima glutationa peroxidase (GSH), vital na proteção de membranas celulares contra agressão por peróxidos.

É necessária a suplementação nutricional de Selênio. Pode-se obtê-lo a partir de diversas fontes naturais, principalmente brócolis, cogumelos, castanha-do-Pará, couve, cebola, alho, levedo de cerveja, grãos, peixe. Porém, as quantidades de Selênio nos alimentos variam conforme o conteúdo do mineral no solo e na água da região onde crescem esses vegetais. E essa condição é extremamente variável. Na China, por exemplo, o solo é pobre em Selênio e a deficiência desse mineral leva a doenças como a de Keshan, uma cardiopatia que acomete principalmente crianças.

Propriedades do selênio

Sistema imunológico

Os mecanismos pelos quais esse mineral atua sobre o sistema imunológico ainda não estão totalmente elucidados, mas pesquisas mostram que a sua deficiência influencia funções de diversas células do sistema imune, como a proliferação de linfócitos T e B, produção de imunoglobulinas M e G em humanos e a atividade de neutrófilos.

Outra evidência de que o Se é importante para a resposta imunológica baseia-se em estudos que relacionam baixos níveis séricos desse mineral em pacientes HIV-positivos (imunodeprimidos), que podem ser normalizados com suplementação em diversas formas, inclusive levedura de Selênio.

Efeito antioxidante

O Se faz parte de uma família de diversas enzimas, entre as quais a GSH, com forte ação antioxidante em todo o organismo. Pesquisas mostram que a deficiência do mineral Se leva à diminuição da atividade antioxidante da GSH e de outras enzimas, como a superóxido dismutase (SOD), em diversos órgãos, tais como coração, fígado e rins.

Câncer

Estudos epidemiológicos in vitro demonstram que a ação do mineral Se na diminuição da incidência de cânceres no geral. Pesquisas mostram que a suplementação com selênio metionina (uma forma orgânica) é eficaz na inibição do crescimento de câncer de próstata, mama e de melanomas, pois induz as células cancerosas à apoptose.

Outro estudo in vitro mostrou que a incubação de queratinócitos com selênio metionina ou selenito de sódio é capaz de protegê-los da indução à apoptose, causada pela exposição à radiação solar, sugerindo um efeito preventivo de câncer de pele.

Proteção contra doenças cardíacas

A deficiência de Se tem sido associada a maior incidência de problemas cardiovasculares. Uma das possíveis explicações para isso baseia-se no fato de a GSH ser uma das enzimas mais ativas no endotélio, com ação antioxidante protetora da parede dos vasos sanguíneos. Estudos mostram que a atividade da GSH no endotélio de animais suplementados com Se foi maior em relação aos animas deficientes de Se.

A doença de Keshan, uma cardiopatia caracterizada pelo aumento do tamanho do coração e alta taxa de mortalidade, é relacionada à carência do mineral Se no solo da China, país onde é endêmica.

Funcionamento da tireóide

Estudos em animais relacionam a deficiência de Se com baixos níveis plasmáticos de T3. Outros estudos em humanos sugerem que a síntese de hormônios tireoidianos pode ser regulada por enzimas que contêm Se.

Formas de suplementação de Se

A suplementação de Se pode ser realizada com formas inorgânicas ou orgânicas do mineral. As primeiras (selenito e selenato) já foram bastante utilizadas e até hoje ainda estão presentes em algumas formas especiais de suplementação de Se, como por exemplo, misturas parenterais. Na maioria dos casos (suplementos nutricionais, nutrição animal) as formas inorgânicas de Se estão sendo substituídas por formas orgânicas, pois possuem baixa biodisponibilidade e influenciam na absorção de outros compostos, como a vitamina C, por exemplo.

Diversos estudos comparam a biodisponibilidade entre as formas orgânicas e inorgânicas de Se. As médias dos tempos de meia-vida em humanos para selênio metionina (forma orgânica) e selenito (forma inorgânica) foram de 252 e 102 dias, respectivamente, indicando que a selênio metionina é utilizada e reutilizada extensivamente. Condizente com esse dado, outro estudo mostrou que animais previamente tratados com selênio metionina mantêm alta atividade de enzimas contendo Se durante carência deste mineral por períodos mais longos, em comparação a animais previamente tratados com selenito.

Além da biodisponibilidade, outro fator importante na escolha da forma para suplementação de Se é a toxicidade. E pesquisas demonstraram que a toxicidade crônica de selênio metionina é menor em relação ao selenito.

 Logo, a suplementação de Se é preferível sob suas formas orgânicas. As formas orgânicas de Se presentes na natureza são a selênio cisteína (origem animal) e a selênio metionina (origem vegetal).

A seleniometionina é a forma de Se mais aproveitada pelo organismo, pois somente esse composto é capaz de ser incorporado às proteínas, o que não ocorre com as demais formas de Se. Isso permite que seja estocado no organismo e reversivelmente liberado através de processos metabólicos normais. Após sua absorção, a selênio metionina que não é imediatamente metabolizada e utilizada, é incorporada em órgãos com altas taxas de síntese proteica, como músculos esqueléticos, eritrócitos (principalmente na hemoglobina), pâncreas, fígado, rins, estômago e mucosa gastrintestinal.

Por todas as suas propriedades, a selênio metionina é, atualmente, a forma de suplementação do mineral Se mais utilizada, podendo ser administrada em sua forma purificada ou na forma de levedura de Se, com grande quantidade de proteínas ricas em selênio metionina.

Publicado por naturopatasdobrasil

Comunidade Brasileira de Naturopatia. Notícias, tendências, divulgações científicas, saúde, bem-estar, beleza, sustentabilidade e ativismo social.

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