As qualidades da mente e os obstáculos para a vida

O potencial da mente para concentrar-se (dharana), entrar em comunicação contínua com um objeto escolhido(dhyana) e finalmente fundir-se com ele (samadhi), são os estados naturais da mente.

Doença

Letargia

Dúvida

Pressa ou impaciência

Resignação ou fadiga

Distração

Ignorância ou arrogância

Incapacidade de dar um novo passo

   Perda da confiança.

Se manifestarão em sintomas como auto piedade, pessimismo, problemas físicos e dificuldades respiratórias. Yoga Sutra 1.30-31

A doença é um obstáculo para o bem-viver pois perturba a mente. Então, eu penso em fazer algo para melhorar minha saúde antes que eu possa continuar.

Outro obstáculo: submissão aos meus humores. Quando me sinto bem, posso fazer tudo e as vezes me sinto sem energia suficiente para fazer o que quer que seja.

Peso e letargia podem ter como causas: comer demais, comer o tipo errado de comida, pelo clima frio ou pela natureza da própria mente.

A dúvida (samsaya) para alguns é um grande obstáculo para o progresso. É necessária svadhyaya (autoanálise). É parte intrínseca do yoga.  Aqui falamos de Yoga como unir-se ao todo, união com a própria criação, não separação. Patãnjali se refere à dúvida que aparece quando estamos por exemplo, no meio de uma ação e de repente, nos perguntamos: como vou continuar? Talvez eu deva parar… esse tipo de dúvida mina o progresso.

Muitas vezes agimos com pressa e sem cuidado especialmente quando queremos um resultado rápido.

Pramáda, a pressa, pode criar problema. Podemos tropeçar em vez de progredir.

Outro obstáculo, a resignação (alasya), manifesta-se em pensamentos como: “talvez eu não seja a pessoa certa para fazer isso. Resignação ou exaustão.

Há falta de energia e entusiasmo. E falta de entusiasmo é um sério obstáculo no caminho da vida.

Avirati, distração, é um grande obstáculo. É quando nossos sentidos assumem o controle e começam a se ver como senhores em vez e servos da mente.

O maior e mais perigoso de todos os obstáculos ocorre quando achamos que sabemos tudo. A sensação de ter alcançado o topo da escada é apenas uma ilusão. Ilusões assim são muito comuns. Não são nada além de arrogância e ignorância: bhrantidarsana.

Podemos tropeçar em outro obstáculo: alabdhabhumikatva.

Justamente quando ao pensarmos ter feito algum progresso, logo percebemos o quanto ainda nos falta fazer. Pode ser que fiquemos então bastante desapontados e com o humor instável. Subitamente perdemos o interesse em tentar de novo, em encontrar ouro modo de começar, em dar o próximo passo. Dizemos “chega, não quero continuar”.

Há um outro obstáculo que ocorre quando você se dá conta da ilusão que esteve alimentando e vê a dura cara da realidade e vê-se menor e menos importante do que realmente é. Isso leva à perda de confiança, que é o último obstáculo descrito por Patãnjali. Você pode até ter chegado onde nunca chegou antes, mas perde a força de permanecer lá e cai, perdendo o que ganhou. Isso é anavasthitatvani.

Em nenhum estágio do caminho do Yoga, deveríamos pensar que nos tornamos mestres. Em vez disso devemos saber que hoje somos um pouco melhores do que ontem tanto quanto seremos um pouco melhores ainda no futuro. Esses sentimentos vêm e vão até que alcancemos o ponto em que não há nem melhor nem pior.

O Yoga Sutra orienta a manter um bom contato com o seu professor, agindo assim você vai alcançar uma compreensão mais profunda e um maior grau de confiança nele. Seguir um professor e uma direção o ajudará a descobrir os caminhos e os meios para evitar e superar os vários obstáculos. Yoga sutra 1.32 

Pranayama é outra técnica muitas vezes recomendada como auxílio para superar obstáculos. Para esse propósito, a expiração é particularmente importante; Patãnjali sugere praticar pranayama com uma expiração longa e tranquila, seguida de uma pequena pausa. Yoga Sutra 1.34

Outro método para lidar com bloqueios no caminho do yoga é investigar os sentidos, com o objetivo de acalmar a mente. Explorar questões como: como observo as coisas? Como ouço os sons? Não é o que descobrimos que é importante, mas o fato de acalmar a mente e nos conhecermos melhor.

Outra possibilidade de aquietar a mente é começar a examinar o conceito de purusa.

As upanishads localizam o purusa em algum lugar da região do coração, em cujas profundezas encontra-se uma minúscula abertura, na forma de um botão de lótus. Se  concentrarmos nisso a nossa atenção e investigarmos sobre nosso purusa, a mente se torna tranquila e pacífica. Yoga Sutra 1.36

Uma técnica mais efetiva recomendada no yoga sutra é conhecer a vida de pessoas que passaram por muito sofrimento (duhkha) e superaram-no. Yoga Sutra 1.37 

Ao conversar com essas pessoas, ou ler livros sobre elas podemos descobrir como solucionaram seus problemas o que pode nos ajudar a encontrar as soluções para os nossos.

Quando estamos num estado de confusão e agitação, é útil procurar dentro de nós mesmos, a causa.

Pode ser que aquilo que acontece continuamente e por isso nos parece muito familiar, seja na verdade, algo que conhecemos muito pouco.

O mais importante método para remover obstáculos do caminho para uma maior clareza é isvarapranidhana, submissão à Isvara.

O conceito de isvarapranidhana deriva da crença de que há um ser espiritual mais elevado que nós; nós nos entregamos a esse ser superior, acreditando que ele possa nos ajudar. Nós oferecemos todos os frutos dos nossos esforços a esse ser.

Isvara é o mais elevado ser divino. Não pertence a prakrti (mundo material) ou a purusa (aquele em nós que vê).

Isvara distingue-se pelas seguintes qualidades:

Ele vê todas as coisas como são, sua ação é perfeita, ele é onisciente, o primeiro professor, a fonte de ajuda e apoio. De maneira diferente de nós, isvara não está sujeito à influência de avidya. Embora saiba de avydia, ele permanece intocado por ela, razão pela qual ele nunca age, nunca agiu e nunca agirá de maneira errada.

Diferentemente de nós, ele nunca foi coberto pelo véu de avidya e por essa razão pode ver coisas que não podemos ver. É por isso que ele pode nos conduzir.

Isvara não faz nada que possa ter um resultado negativo ou uma consequência lamentável. Ele está além do ciclo vicioso no qual as ações produzem efeitos ruins, que causam novo condicionamento , que, por sua vez leva a novas ações com efeitos negativos. Como o nosso purusa, Isvara vê. Essa é uma de suas maiores qualidades. Por essa razão o Yoga Sutra o chama também de purusa, mas um purusa muito especial: visésa purusa (visésa- extraordinário).

Isvara é extraordinário no sentido de que não está sujeito à avidya, não conhece ações negativas que causam arrependimento e não está suscetível à dukha (sofrimento). Por essa razão ele tem a extraordinária habilidade de conhecer e compreender tudo.

Yoga usa a palavra sarvajna para descrever essa qualidade especial. Sarva significa tudo. E jna, se traduz como conhecer. Isvara é onisciente, ele sabe de tudo sempre, e em todos os níveis, essa qualidade só ele possui. Nós, seres humanos, não a temos. É por isso que ele é o grande professor, o mestre honrado como guru. Patãnjali chama Isvara de primeiro guru. Ele é o professor que supera todos os outros. A honra concedida a ele repousa no fato de que ele sabe tudo. Qualquer um que o chame diz: “você que sabe tudo, compartilhe seu conhecimento comigo”.

Que esse texto possa lhe ajudar a saber em que nível de Yoga você esta na vida.

Publicado por naturopatasdobrasil

Comunidade Brasileira de Naturopatia. Notícias, tendências, divulgações científicas, saúde, bem-estar, beleza, sustentabilidade e ativismo social.

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