Pranayama: os exercícios respiratórios do yoga.

Por : Daniele Habib

A palavra pranayama, vem do sânscrito (dialeto antigo do norte da Índia) e consiste de duas partes: prana e ayama. Ayama significa alongar, expandir. Isso descreve a ação do pranayama. Prana refere-se a “aquilo que está infinitamente em todo o lugar”. Prana também pode ser descrito como algo que flui continuamente de algum lugar dentro de nós, preenchendo-nos e nos mantendo vivos: é a vitalidade. (Trecho do Livro:  O Coração do Yoga, de T.K.V Desikachar, Mantra, 2018)

É como um “sopro” que nos nutre.

Os Pranayamas são exercícios respiratórios, que favorecem ao aumento da capacidade pulmonar e diafragmática. Nos exercícios respiratórios da aula de yoga promovemos um fortalecimento do diafragma e consequentemente uma expansão dos pulmões, além de promover a eliminação das toxinas armazenadas dentro dos mesmos e maior entrada de ar. Assim como uma musculação, à medida que o praticante repete os exercícios, vai fortalecendo todo o sistema. Usamos os movimentos de inspiração e expiração combinados com a expansão e a contração abdominal com o apoio do diafragma e também as contrações musculares das regiões pélvica, abdominal e da garganta.

Quando falamos em alimento para nossas células, na maioria das vezes pensamos em algo sólido, no entanto o oxigênio do ar também é considerado um alimento indispensável para a vida celular. Quando saímos do ventre de nossas mães o oxigênio é o nosso primeiro alimento!

Nós podemos ficar sem comer alimentos sólidos por um bom período de tempo, como por exemplo em situações controladas até 40 dias em jejum, ou seja, conseguimos viver este período apenas com água, de acordo com Dr. Jason Fung. Já em relação ao oxigênio a situação é bem diferente. Faça o teste e veja quantos minutos consegue ficar sem ar?

No processo respiratório inalamos o oxigênio – O2 e exalamos o resíduo da respiração que é o gás carbônico CO2. De acordo com T.K.V Desikachar, a expiração é a ação de remoção de resíduos do sistema. Outra maneira prática de se aplicar esta percepção é a de que se cuidarmos da expiração, a inspiração cuidará de si própria. Ou seja, se nos livrarmos daquilo que não é desejado, abriremos espaço para aquilo que é necessário. (Trecho livro Anatomia do yoga, Lelie Kaminoff e Amy Matthews, Manole, 2013). Não queremos acumular toxinas dentro de nós, não é verdade? Além disso, T.K.V. Desikachar diz que a falta de prana no corpo pode refletir em nossa energia, motivação, vigor e ânimo causando até depressão e outras doenças físicas. Quando falamos dos pulmões, nós da Naturopatia falamos no sistema emunctorial, o qual agrupa os órgãos de eliminação de toxinas do nosso corpo, assim como os rins, os intestinos e a pele. É por meio deles que o nosso corpo equilibra o que entrou, depois do que foi aproveitado pelo corpo e o mesmo realiza as saídas/eliminações do que não é mais útil.

Os benefícios dos pranayamas podem ser percebidos na melhora da motivação e vivacidade, trazendo calma e equilíbrio mental, uma vez que a quantidade de prana no corpo afeta a nossa mente e vice-versa. Quando estamos ansiosos por exemplo, a nossa respiração acelera. Isso indica que precisamos de um pranayama!

Cabe destacar que no processo de meditação a respiração pode ser o foco da atenção do praticante tornando a respiração um ato consciente o que traz senso de presença e tranquilidade.

Uma definição para palavra yogui é “aquele cujo prana está todo dentro do próprio corpo” e o objetivo final do pranayama é manter o equilíbrio entre a quantidade do ar que está fora e do ar que está dentro do corpo.

Para que haja uma modificação no estado da mente, melhora da capacidade pulmonar e eliminação das toxinas que existem dentro de nós, a orientação é que a prática de pranayama seja frequente.

Convidamos vocês para praticarem pranayamas!

Yoga é vivência. É prática. Respire!

Namastê!

Referências Bibliográficas:

1 – DESIKACHAR, T.K.V . O Coração do Yoga. 2ed. São Paulo. Editora Mantra, 2018.

2 – FUNG MD, Jason. The Complete Guide of Fasting. Las Vegas. Victory Belt Publishing Inc, 2016.     

3 – KAMINOFF, Leslie; MATTHEWS, Amy. Anatomia do Yoga. 2ed. São Paulo. Editora Manole, 2013.

Publicado por naturopatasdobrasil

Comunidade Brasileira de Naturopatia. Notícias, tendências, divulgações científicas, saúde, bem-estar, beleza, sustentabilidade e ativismo social.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: