Obesidade e fome emocional. Comemos além do necessário?

Sigmund Freud, importante neurologista e psiquiatra austríaco, personalidade influente na história da Psicologia, desenvolveu o “conceito psicanalítico de pulsão” levando a um entendimento além do corpo orgânico. A obesidade pode ser analisada como um fenômeno psicossomático (Psicossomática pode ser definida como a relação mente-corpo nos processos de adoecimento). Vista como epidemia do século, a obesidade surgiu na antiguidade onde representações de formas humanas obesas já eram retratadas. A representação de figuras femininas com sobrepeso passou a ser símbolo de desejo e status pois representava abundância e fertilidade quando a fome era considerada uma possibilidade de desastre aos humanos. (Brunch, 1973, apud Loli,2000).

Durante a primeira e segunda grandes guerras mundiais, foram levantadas observações acerca do fato de pessoas que perderam entes queridos, começavam a engordar de modo abrupto e sem razões aparentes. 

A Metafísica compreende os aspectos estruturais e energéticos que coordenam as matérias orgânicas e inorgânicas. É um estudo especial sobre a essência do universo, sua formação e dos seres que nele habitam. O termo metafísico significa: meta = além e física = matéria. Portanto, tudo aquilo que estiver além do físico poderá ser considerado metafísica. Ela compreende a esfera psíquica, emocional, energética, espiritual e sentimental. A Metafísica parte do princípio de que é a alma que organiza a matéria e não o físico que cria a essência. A Psicologia contribuiu para uma melhor compreensão da Metafísica, trazendo maiores esclarecimentos acerca da somatização das doenças e marcou o início do estudo das interferências emocionais como causa de distúrbios físicos no indivíduo (psicossomática). Na visão metafísica, o aumento de peso está vinculado a fragilidades internas, desordens emocionais diversas no âmbito familiar, profissional, social e afetivo. Os alimentos tornam-se refúgios e conforto diante dos desafios.

O ser humano possui a necessidade fisiológica da alimentação. No entanto, se satisfeita, porque a vontade de continuar comendo? Seria fome ou desejo? O excesso de peso já é fator de alto risco para doenças cardiovasculares e cerebrais e risco maior de se desenvolver outros distúrbios: transtorno de ansiedade, depressão, desequilíbrios do sono. O comportamento compulsivo se caracteriza também por eventos recorrentes de ingestão de quantidades anormais de comida com sofrimento, associado a comportamentos compensatórios. A Naturopatia, de forma natural, pode contribuir não somente no tratamento da obesidade, mas no auxílio a um melhor estilo de vida, alimentação equilibrada, autocuidados pelas práticas terapêuticas que focam a redução do estresse, na melhora do humor, ansiedade, insônia e qualidade de vida em geral.

Estudos científicos mostram efeitos da Auriculoterapia (acupressão auricular) no sobrepeso e obesidade, diminuindo peso corporal, circunferência abdominal, índice de massa corporal e níveis de triglicérides. Schneider et al., 2018 13 Também a terapia floral auxilia na redução do grau de ansiedade de indivíduos com sobrepeso, com melhora do sono, redução nos sintomas de compulsão alimentar e diminuição na frequência cardíaca de repouso, sendo maior no grupo tratado do que com placebo. Pancieri et al., 2018 20.

Independentemente da Prática terapêutica adotada, fundamental é a prevenção e o tratamento das causas emocionais que levam à “fome emocional”, ou seja, o preenchimento de carências e ansiedades diversas vindas de medos, baixa autoestima, fobias, preocupações, rejeições e/ou traumas. O autoconhecimento promove consciência, a compreensão dos “gatilhos”, (fatos ou situações que fomentam a compulsão ou vontade exagera de se alimentar mesmo após saciedade). A Fitoterapia também é Terapia complementar que pode colaborar na contenção da ansiedade e causas da compulsão alimentar desde que clinicamente respaldada. O fato de ser natural não exime a necessidade de cautela e orientação correta.

A Naturopatia, as Práticas Integrativas Complementares não substituem tratamentos médicos, “não são alternativas”, mas integrativas e que complementam além de ajudar a manter o equilíbrio do corpo, da mente, da energia vital, das emoções. Portanto, o controle da compulsão alimentar, o tratamento, prevenção e controle da obesidade estão atrelados também à adoção de novos hábitos e estilo de vida saudáveis como a prática frequente de exercícios físicos, o controle das ansiedades, o acompanhamento profissional e o autoconhecimento.

Esse texto tem a Colab. De Fernanda Ornelas, Membro da Comunidade Brasileira de Naturopatia. Revisão técnica: Chris Buarque. Revisão geral: Claudia Lopes.

Fontes usadas como referência

www.repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1783/1/Pr%C3%A1ticas Integrativas e Complementares no tratamento da obesidade %283%29.pdf 121313. Kenny TE, Van Wijk M, Singleton C, Carte

www.scielo.br/j/pcp/a/YMCSWBJrNMSs7DdvCrmTYKP/?lang=pt

http://www.scielo.br/j/reeusp/a/VbCfRCz8XWkBF7bTnXhS44G/?lang=pt

METAFÍSICA DA SAUDE» (Gasparetto & Valcapelli) – Vol. 4

Publicado por naturopatasdobrasil

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