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o desafio de relaxar e não ter que fazer nada


Ao longo da história, o ócio teve diferentes significados.

Na Grécia Antiga, era visto como um privilégio das elites. Um espaço para a filosofia e a contemplação.

Mais a frente, com a revolução industrial, essa percepção mudou radicalmente: o trabalho passou a definir a identidade e o valor social dos indivíduos. No mundo contemporâneo, a ideia de "fazer nada" é frequentemente associada à preguiça e à improdutividade, criando um paradoxo em que o descanso é desejado, mas também culpabilizado.

Vivemos na época da hiper produtividade e exibição de resultados. O capitalismo de plataforma e a gamificação do cotidiano reforçam a ideia de que toda experiência deve ser monetizada, compartilhada e otimizada. A busca incessante por produtividade impacta a saúde mental, gerando burnout, ansiedade e a sensação de que nunca se está fazendo o suficiente. O lazer, quando permitido, é frequentemente convertido em um "projeto pessoal", como viagens instagramáveis ou hobbies transformados em trabalho.

Com a digitalização da vida, a distinção entre tempo de trabalho e tempo livre tornou-se nebulosa. As notificações constantes, a pressão por estar sempre online e a expectativa de resposta imediata criam um ambiente de vigília permanente. A culpa por "não estar produzindo" é um fenômeno comum, levando à busca por formas de relaxamento que acabam sendo mais uma obrigação do que uma experiência genuína de descanso.

Sociologia do "fazer nada"

Diferentes sociedades têm formas diversas de lidar com o ócio. Em culturas mediterrâneas, como a italiana e a espanhola, há espaço para a "dolce far niente" (a doçura de fazer nada). No Japão, o conceito de "ma" refere-se ao espaço entre atividades, um momento de pausa valorizado. No entanto, sociedades orientadas pelo desempenho, como os Estados Unidos e parte do ocidente, veem o tempo livre como um desperdício. Essa visão impacta a forma como encaramos o descanso e cria barreiras psicológicas para aproveitar momentos de inatividade.


Historicamente, o lazer não era apenas uma atividade complementar, mas essencial para a cultura. Sociedades caçadoras-coletoras trabalhavam menos horas do que a maioria dos profissionais urbanos modernos, dedicando mais tempo ao descanso e à socialização. Com a urbanização, o tempo livre passou a ser visto como um privilégio das classes abastadas. Atualmente, mesmo as atividades de lazer são estruturadas para serem produtivas, criando uma experiência paradoxal em que se "trabalha" para descansar.

Mas é possível melhorar, ainda que seja em pequenas doses. Somadas, terão um impacto positivo à saúde mental. É necessário reaprender a fazer nada em alguns momentos.

Mind-wandering: permitir que a mente divague sem um objetivo específico.

Práticas de contemplação: observar a natureza, ouvir música sem multitarefa ou simplesmente observar o próprio ambiente.

Desconexão digital: criar espaços livres de tecnologia para recuperar a sensação de tempo presente.

Reinterpretação cultural: redefinir o ócio não como uma falta de produtividade, mas como uma necessidade humana para criatividade e bem-estar.

Ao entender a origem de nossa dificuldade em relaxar, podemos reavaliar nosso relacionamento com o tempo e permitir que a pausa seja uma escolha consciente, e não uma fonte de culpa.

Hora de trabalhar, trabalhar. Hora de relaxar, relaxar, que ninguém é de ferro.


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